quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Cidades de Fronteira é tema de fórum de discussão




 
As cidades de fronteira foram alvo de um fórum de discussão na 24ª edição do Congresso Panamericano de Arquitetos, que é realizado em Maceió até a próxima sexta-feira (30).
A explanação inicial ficou a cargo do arquiteto peruano Roberto Querelle, que discorreu sobre a área de trifronteira onde está sendo construída a Rodovia Transoceânica, que passa pelo Estado do Acre (Brasil), Madre de Dios (Peru) e Pando (Bolívia).
Querelle acredita que o crescimento urbano nas áreas de fronteira vai estimular continuidade física. “Existe uma convergência histórica de ocupação territorial pela procura da borracha, que levava a uma apropriação das terras. O espaço se transforma em território através das redes. As cidades são a base para o intercâmbio dos bens e serviços, melhorando o padrão de consumo com planejamento e um plano político”, avalia.
Nesta área de trifronteira, toda na região da Amazônia, está sendo verificado crescimento urbano que gera impactos significativos no meio ambiente com crescimento exponencial do trânsito de veículo, baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e deficiência nos serviços públicos. No entanto, o arquiteto revela que foi criado um sistema sócio-econômico próprio que une aquelas comunidades.
“A conurbação internacional traz custos ambientais por causa da diferença nas três administrações públicas. O planejamento de cada cidade deve analisar o município em sua relação com o território, porque é mister avaliar as novas funções da cidade. Para ter integração não basta proximidade geográfica, é essencial compartilhar um projeto comum de organização político-territorial”, aponta.  
O arquiteto Geraldo Mantaruli, da Argentina, destaca que as fronteiras não devem ser limites, mas vínculos entre países: esta tendência veio primeiramente com a economia globalizada e agora chega com a necessidade de integração entre as cidades vizinhas, sejam elas do mesmo país ou de um vizinho, partilhando produtos, bens e serviços.
“Ao invés de ampliar o conceito de limites dos países poderíamos promover a integração das cidades vizinhas”, defende.
O uruguaio José Oliveira Vigliola, da Federação Panamericana de Associações de Arquitetos (FPAA), lembra que o problema das fronteiras é político e precisa ser resolvido politicamente.
Ele trouxe à discussão a relação existente entre a cidade de Chui, no Brasil, e sua vizinha, a Chuy, do Uruguai. Mais do que o mesmo nome e o fato de serem vizinhas, as duas cidades vivem de forma integrada, não somente pela relação entre seus habitantes, mas também fisicamente, já que os municípios são separados apenas por uma estrada.
“A fronteira tem que ser uma linha, não uma faca. As cidades vizinhas possuem relações econômicas e sociais, com intercâmbios de toda ordem”, assinala Vigliola.
Na Chuy uruguaia a população é o dobro da Chui brasileira. 
Para o coordenador do fórum Jeferson Navolar, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU-PR), a origem das cidades era de pontos de passagem, onde era fixado comércio para servir as pessoas que transpunham uma região. “A mudança aconteceu por motivos políticos e militares, mas as necessidades não mudaram nem a disposição das pessoas em manter laços com as pessoas das cidades vizinhas, seja esta cidade dentro do seu país ou não”, reflete.
Navolar destaca que o Brasil tem 558 municipios nas áreas de fronteira, envolvendo oito Estados, dez países e milhares de quilômetros de limites entre o Brasil e as outras nações.

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