sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Produção do arquiteto pela perspectiva de Gustavo Penna e Victor Velásquez é o tema da última conferência do XXIV CPA




O arquiteto brasileiro Gustavo Penna e o paraguaio Victor Velásquez foram as estrelas de uma descontraída conferência com o tema “Produção do Arquiteto”, coordenada pela arquiteta Márcia Rocha Monteiro. Eles falaram sobre suas experiências profissionais, mostraram fotos e perspectivas de projetos e deram dicas para os jovens arquitetos e acadêmicos de Arquitetura, lotando o Teatro Gustavo Leite.
A Conferência faz parte do último dia do 24º Congresso Pan-americano de Arquitetos, que acontece em Maceió desde a última terça-feira, 27, e se encerra nesta sexta-feira, 30.
“Trabalhamos a arquitetura com a utilidade aliada à beleza, forma e mensagem. É importante preservar aquilo que tem valor e aliar aos trabalhos feitos contemporaneamente em harmonia, sem um anular o outro”, defende Penna.
Sobre as intervenções em terrenos para tornar possível a edificações de prédios, casas ou estabelecimentos comerciais, ele aponta o uso de pontes como uma solução criativa e que garante que não se mexa muito no terreno, o que pode dar um charme a mais na construção.
“A ponte é tanto uma forma de transpor um obstáculo como pode ser usada como diferencial numa obra residencial ou comercial”, assinala.
Para Penna, a fachada e a entrada das edificações devem ser cuidadosamente pensadas. “A maneira como você quer ser visto está na sua porta, na entrada: é assim que você recepciona. Em todas as obras você tanto pode criar um ambiente que inspire a introspecção quanto a extroversão. Não recomendo o uso de vidros espelhados, por pelo menos três motivos: deixa o prédio feio, corta a relação de escala e ainda reflete a imagem do prédio ao lado, que pode ser horroroso”, pontua.
Ele desaconselha o uso de escadas do tipo caracol em todo e qualquer espaço. “Escada caracol não é uma escada, é um jeito de subir muito inadequado e arriscado”, aponta.
Por fim, ele recomenda que os arquitetos possam resgastar a dignidade do sensível, intuição e criatividade.
O paraguaio Victor Velásquez trouxe informações sobre as intervenções para a restauração do Centro Histórico de Assunción, capital do Paraguai e destacou a relação existente entre os momentos econômicos e a arquitetura.
“Se a economia está bem, a arquitetura também estará. A internet  é uma ferramenta importante, inclusive para o arquiteto produzir projetos para todo o mundo”, avisa.
Sobre a concepção dos projetos, ele defende que os arquitetos precisam pensar que todo edifício construído precisa ter áreas livres entre ele e as edificações vizinhas, se possível uma praça ou espaço de convivência, para trazer harmonia e ventilação.
“É essencial também usar recursos verdes como fontes de energia eólica ou solar, reaproveitamento de água, reduzir o consumo de energia em climatização artificial. Uma alternativa boa é construir terraços verdes, que refrescam o prédio”, destaca.
Quanto à revitalização do Centro Histórico de Assunción, que também serve para as grandes cidades do Brasil e do mundo, é dar utilidade aos espaços públicos, sendo dever do arquiteto garantir que o projeto contemple alternativas ambientais, sociais, comerciais, financeiras e de gestão.
“O centro tem que ser lugar para trabalhar, viver, comprar, divertir, conviver. Para conseguir este objetivo, o  trabalho em equipe é essencial para o arquiteto ter um bom resultado”, ressalta.
Márcia Monteiro lembra que “todos os segmentos produtivos, de todas as categorias, precisam repensar nosso fazer, nossas cidades e condições de vida”.

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